Quero a voz dela
Quero a mia vida
Quero-a sem ela
Quero
Não quero
Espero.
Em minha humilde opinião, a não-cooperação com o mal é um dever tão importante como o é a cooperação com o bem - Gandhi




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I
Peço à musa do improviso
Que me dê inspiração,
Ciência e sabedoria, Inteligência e razão,
Peço que Deus que me proteja
Para falar de uma igreja
Que comete aberração.
II
Pelas fogueiras que arderam
No tempo da Inquisição,
Pelas mulheres queimadas
Sem apelo ou compaixão,
Pensava que o Vaticano
Tinha mudado de plano,
Abolido a excomunhão.
III
Mas o bispo Dom José,
Um homem conservador,
Tratou com impiedade
A vítima de um estuprador,
Massacrada e abusada,
Sofrida e violentada,
Sem futuro e sem amor.
IV
Depois que houve o estupro,
A menina engravidou.
Ela só tem nove anos,
A Justiça autorizou
Que a criança abortasse
Antes que a vida brotasse
Um fruto do desamor.
V
O aborto, já previsto
Na nossa legislação,
Teve o apoio declarado
Do ministro Temporão,
Que é médico bom e zeloso,
E mostrou ser corajoso
Ao enfrentar a questão.
VI
Além de excomungar
O ministro Temporão,
Dom José excomungou
Da menina, sem razão,
A mãe, a vó e a tia
E se brincar puniria
Até a quarta geração.
VII
É esquisito que a igreja,
Que tanto prega o perdão,
Resolva excomungar médicos
Que cumpriram sua missão
E num beco sem saída
Livraram uma pobre vida
Do fel da desilusão.
VIII
Mas o mundo está virado
E cheio de desatinos:
Missa virou presepada,
Tem dança até do pepino,
Padre que usa bermuda,
Deixando mulher buchuda
E bolindo com os meninos.
IX
Milhões morrendo de Aids:
É grande a devastação,
Mas a igreja acha bom
Furunfar sem proteção
E o padre prega na missa
Que camisinha na lingüiça
É uma coisa do Cão.
X
E esta quem me contou
Foi Lima do Camarão:
Dom José excomungou
A equipe de plantão,
A família da menina
E o ministro Temporão,
Mas para o estuprador,
Que por certo perdoou,
O arcebispo reservou
A vaga de sacristão.
(*) Poeta popular, Miguezim de Princesa é paraibano e está radicado em Brasília.
***


I felt you in the flesh
Desagradável paralelismo... ...há dois detalhes para 'pior' e 'melhor'... (1) Israel é uma democracia... não uma ditadura que escolheu um povo como inimigo universal... assim o que fazem é por decisão da maioria... sem as desculpas das mistificações da propaganda nazista... (2) por ser uma democracia, por ter sua base original no "Livro", pelo seu próprio passado e pela sua força presente... ainda pode haver esperança que a coragem para superar o 'viver pela espada' possa prevalecer... e a coragem para 'oferecer a outra face' e 'dar o manto' e 'caminhar' com quem lhe pede... também se manifeste... afinal, ainda que pareça apenas um ideário cristão... esses preceitos também fazem parte da raiz mais genuína da fé de Israel, Jesus apenas sublinhou essa parte e exigiu que se vivesse pelo espírito da Lei e não pelos detalhes jurídicos que acabaram criando centenas de páginas de comentários para talmudistas. Apenas essa 'conversão' pode superar o que se vê em casa... não se trata de ingenuidade romântica mas de sabedoria prática: o exemplo está na própria Alemanha pós-guerra onde o tratamento humano, tão diferente dos termos aplicados após a Primeira Guerra Mundial, preservaram o melhor da cultura germânica... É tempo dos israelenses aprenderem a se?gunda parte da lição... ou se esquecem que os palestinos serão capazes de algo muito maior que o levante do gueto de Varsóvia?
Bem, por tudo que Israel faz, dificilmente diria que é uma democracia. Está mais para um governo totalitário e expansionista disfarçado de democracia, que é o que o mundo aceita. Como o lobo vestido de ovelha, a clamar que "nações árabes o cercam", e que "se vê constantemente ameaçado". Israel tem o exército mais potente do mundo, armado e financiado pelos Estados Unidos da América. Israel é governado por sionistas, que muitas vezes desprezam os próprios judeus e as passeatas que ocorrem dentro do próprio país para uma solução de dois estados e a libertação dos presos inocentes palestinos (aos milhares, em prisões não documentadas, sofrendo abusos inenarráveis diariamente).
Se fosse somente isso. Israel vem massacrando os palestinos desde o início de sua existência. Uma existência falsa, porque os palestinos habitavam aquelas terras muito antes. Instalaram-se no território que lhes foi dispensado pelas potências econômico-mundiais daquela época, Inglaterra as encabeçando, e não pararam até hoje de tomar para si terras alheias. Usurpar a liberdade, dominar, estuprar, trucidar. Sem piedade. Mais de 400 vilarejos e aldeias palestinas foram varridos do mapa nos primeiros anos. Mais de 400!
Você tem idéia do que é isso? Genocídio. O extermínio deliberado de um povo. Não é à toa que vários grupos israelenses tenham se formado, defendendo um processo pacífico de se solucionar esse assassínio de um povo sem terra. Mas um povo desterrado, isto sim, porque possuía belas plantações de olivas antes do implante de um povo estrangeiro e cujos ascendentes familiares nada têm a ver com os habitantes precedentes daquela região. Ou seja: uma terra que não deveria estar sob as suas posses.
Não, um genocídio só tem solução quando as vozes se erguem e são feitas sentir. A tendência dos fatos atuais é uma eclosão vulcânica, e não temos muito o que esperar. Mais e mais palestinos, crianças, velhos, mulheres grávidas, são mortos sem o menor resqüício de remorso, ou sombra de dúvida.
É tudo muito fácil, e tudo muito desumano. É como jogar um jogo, e os soldados israelenses são amestrados como cães, para farejarem suas vítimas. Devem inclusive competir quantos matam. Devem achar que estão jogando Doom. Que são as forças supremas do Bem, contra as onipresentes do Mal. Devem achar muitas coisas. Todas mentirosas e caluniosas.
Tudo em que creem uma grande pilha de esterco. Fedorenta, asquerosa, terrível. Terrível para as pessoas que têm alma e que não estão no poder, e que veem o que os psicopatas que estão no poder estão fazendo: jogando povo contra povo, numa colisão de forças que anulará a civilização.
O caos é imposto de cima para baixo - e vê-lo é somente o primeiro passo. O segundo é escrever sobre isso, divulgar.
Sem meias-verdades, como uma "promessa de esperança". Não há esperança alguma enquanto houver psicopatas nos governando, e revirando as concepções que nos tornam essencialmente humanos. O mais notório dos quais, para os brasileiros, Maluf: "Estupra mas não mata. Rouba mas faz."
Para ele, está muito bem. Mas e para nós que vemos os psicopatas no poder?
Sobre psicopatia, o site mais sério, didático e instrutivo sobre o tema: http://www.cassiopaea.org/cass/site_map_qfg.htm [ver o tópico "Studies in Psychopathy", descendo, no canto esquerdo da página]

Magritte - Le mal du pays (1940)





Podemos ver que é uma figura hermética. Não há começo, bem como não há fim. Escolhamos qualquer ponto dessa linha que o delimita, para alocar a palavra "morte".