segunda-feira, 9 de março de 2009

Vitória Régia

Pra que serviu treinar, então, filho?!

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Seis horas da manhã, sábado. Saio de casa, preparando-me ao desafio que me esperava. Aguardo o ônibus, perco a paciência, atravesso a pista e pergunto ao homem do posto, que estava ocupado. Chama seu companheiro, para o qual repito a pergunta - não passa por aqui tal ônibus de sábado. Não sabe. Eu volto a olhar os ônibus que chegam. Olha o meu, pqp! No caminho, nada de especial.

Chego. Vinicius e Augusto César, sentados, esperando quem faltava. Cumprimento-os, decidido, ótima auto-estima. Aquecemo-nos e depois partimos para o ginásio, onde se dariam as partidas de tênis de mesa. Piadinhas sobre japoneses que fazíamos antes de nos dirigir para lá arrefecem ante a habilidade demonstrada pelos mesmos.

Justamente antes do jogo, eu e Vinicius dialogando, preparando-nos psicologicamente para o embate esportivo que estava prestes a começar. Adversários fortes, mas nossa resolução em dar o melhor mais ainda. De chofre, instala-se o que julgávamos uma brincadeira entre nosso técnico e o técnico nipônico até então desconhecido, de uma equipe contra a qual só jogaríamos depois do primeiro jogo, se ganhássemos. Era brincadeira, até que um derrubou o outro no chão, e passou a esgoelá-lo. Algo como filme de artes marciais. De um segundo para o outro, da terra para o chão. Vamos lá! Disse-me meu comparsa.

Apartamos a briga, e daí nada mais foi o mesmo. Moral abalada. Como que se dá uma briga num ginásio esportivo, logo antes dos nossos importantes jogos? Como isso? Bem o nosso técnico, nosso representante, quem nos deveria dar força e garra e espírito olímpico?! Absurdo camusiano. Se apenas fosse um árabe. Se apenas a terra estivesse quente, e a visão embaçada, e a arma na mão fosse provida de um gatilho de vida própria. Mas não era nada disso. Frente à provocação, perdemos antes mesmo de jogar. E não foi jogo, porém combate.

Psicopatas - e seus congêneres - arruinam o mundo.

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Para aprender mais um sólido fato sobre a nossa existência, mãe: que nem todos somos iguais. Que nem todos nutrem empatia, que nem todos pensamos em pelo menos parte dos nossos atos, sopesando causas e conseqüências. E que por isso toda e qualquer moral, toda e qualquer ética esportiva e existencial vão água abaixo, como nossas ilusões sobre igualdade. Que seis por cento da população consegue influenciar-nos por meio da religião, da política, da malandragem. Nomeie qualquer esfera de influência de sua vida e lá os terá: psicopatas, sim. Eles existem, e nós conhecemos um bocado deles. Um bocado, eu digo!

É a resposta que eu poderia ter dado à minha querida mãe.

Feliz dia internacional da mulher!

2 comentários:

Renato disse...

Imagino se, imediatamente seguinte ao início do embate animal, ocorreu-lhe a ideia da psicopatia. Ou se refletiu ao longo do dia sobre isso.
Forma ou outra, a obscuridade da descrição parece também obscurecer um pouco do constrangimento...

Fernando Pimenta disse...

A psicopatia nunca deve ser atribuída a um indivíduo de forma imediata. Isto só funciona para os indivíduos mais "quebrados". O que não vem bem ao caso.

Há uma série de características, que, evidenciadas numa pessoa, evidenciam por sua vez presença de psicopatia ou não, e até mesmo o grau em que esta se manifesta.

Para os que dominam a língua inglesa, como você, meu caro Renato, este site é bastante elucidativo:
http://www.cassiopaea.com/cassiopaea/cleckley-mos.htm

Para citar um outro artigo que eu havia lido: "O psicopata não é o primeiro idiota que você vê na esquina." É necessário informar-se bastante antes de sequer nos lançarmos a identificá-los.

Pode-se, de início, desconfiar, mas atestar só é possível com fatos e um sólido conhecimento.

Os psicopatas mais elusivos conseguem enganar facilmente profissionais há anos nesse campo de estudos, psiquiatras eméritos inclusive.

Por essa razão, procuro dizer somente quando tenho certeza, e já vou dizendo que, na condição de humano, estou sujeito a falhar.

Mas é justamente assim que aprendemos e fazemos diagnósticos mais acurados no presente.