sexta-feira, 31 de outubro de 2008

Herói

Herói: 1 MIT filho da união de um deus ou uma deusa com us ser humano; semideus 2 MIT mortal divinizado após sua morte; semideus 3 p.ext. indivíduo notabilizado por seus feitos guerreiros, sua coragem, tenacidade, abnegação, magnamidade etc 4 p.ext. indivíduo capaz de suportar exemplarmente uma sorte incomum (p.ex., infortúnios, sofrimentos) ou que arrisca a vida pelo dever ou em benefício de outrem 5 p.ext. indivíduo notabilizado por sua realizações <os h. das ciências> 6 p. ext. figura central de um acontecimento ou de um período <os h. da Revolução Francesa> 7 p.ext. pessoa que, por ser homenageada ou por qualquer motivo (nobre ou pouco digno), se distingue ou é centro de atenções <os h. da festa> <o h. da baderna foi justamente o mais tímido entre todos> 8 p.ext. principal personagem de uma obra de literatura, dramaturgia, cinema etc. 9 infm. indivíduo que desperta enorme admiração; ídolo. (dicionário Houaiss, 2004)

* * herói * *

Cada esforço vale a vida
E toda vida é um esforço
O esboço de um herói
É sua vida e seu afã;
Sua libertação.

Cada manhã e seu orvalho,
Derramado sobre ele,
Estando à sombra d'um carvalho,
Como as melenas de um chorão
Serão seu mecenas
E sua salvação.

Pois a vida é esta pena,
Pois a vida vale a pena,
Pois só há de vir a alegria
Após diária distopia
Após a lágrima que escorre
Fria.

E então vem o júbilo,
E então vem a vitória,
E então vira história.

Não há fórmula
Ou predestino
Há fortuna e desatino
Há a luta, sim, contra
O próprio destino

E ao canto ficam relegadas
As desesperanças
Pois no centro vêm
Somente
Todos os meios necessários
Para a luta
Pois a concentração do monge
É a obstinação
E toda a batalha do heróis.
Não há bareriras,
Nem obstáculos
Não há óbices
Nem percalços

Há, sim, muita fúria
Tem, sim, muita raiva
E fogo vivo a arder
As chamas internas
Alma do viver

E cuida, pois, que não virem cinzas
E que arda para sempre
Há fim e início
Mas o momento é o presente
E o presente eternamente

A eternidade está contida
Em cada instante
É, pois, nesta realização,
Que se apercebe
Que a peleja é vital
E constante.

É então que se põe distante
É aí que vira um ser pensante
Atuante
E vivente.

Descrente quanto às ortodoxias
E normas
Descrente quanto aos dogmas
E às religiões cá fundadas
E crente em si e no poder
De superar
De gritar
E exarcebar!

Feliz em poder lutar
Alegre em poder perder
Pois a vitória está no embate
Não no resultado
Pois cada ato disputado
É o clamor nele
Derramado.

E o suor escorrido
E o sangue pulsado
Todos eles trazem
Em si
O resultado.

Vive o herói!
Indiferente à perda
Pois cada perda é ganho
E superação do antanho
E cada ferrenho golpe
É dum tom castanho,
Perene,
Solene
E d'outros tempos

Vive a vida em sua eternidade de momentos
Cristaliza sua própria imortalidade
Em versos que nunca se apagarão
Porque se inscrevem em sua alma.
E esta não morre.

Reencarna a luta somente o herói.
É ele que destrói, para construir,
É ele que rui, para edificar

É ele que enxerga
Sem sequer os olhos abrir
É ele que desfecha cada golpe
Num eterno interno sorrir

E vive nele a vida
E vive nele a alma!
É somente isto que importa.

É cada fechar e abrir da porta
É cada momento que comporta
Felicidades e tristezas que perdurarão
Pois já habitam seu rijo coração

Este que pulsa e bate feito um cão
Um dia pára, mas não morre em vão
Pulsará tão vivo quant'antes
Na próxima e inacabável
Reencarnação.

Jamais morre, desconhece a solidão,
É-lhe estranho pensar que estar sozinho,
Compenetrado no universo,
É encontrar-se solitário.

As estrelas não são seu guia
Através das noites?
As entidades celestes não são
A travessia imparável
Ante mesmo os açoites?

Pois onde há tal solidão?
Não existe.
É ilusão.

Vive o herói, e o desconhece
A civilização.
Não se revela, porque é mestre
Em desmentir
Sua condenação.

Não se pode ser si mesmo
Sem ter que avir com os demais
É por isso que sua face sempre espelha
A mais pura e viva paz
Ele vive
E isto só
Já o apraz.

Alma tenaz.
Morre jamais.

3 comentários:

Renato disse...

Me perdoe a generalidade, mas sou herói e meu cavalo só fala francês.


Não falo como falas - vejo bem, contudo, o que me dizes.

Jefferson disse...

Eita poesia, não, maestria nas palavras, elegia à vida e como viver. Um inglês, se soubesse o português, certamente diria:

Poignant, incredible, my friend!

Fernando Pimenta disse...

A poesia é fruto; a árvore aguarda a colheita.