sexta-feira, 24 de abril de 2009

Jihad Now

Eu sou tudo
Tudo - Menos
Mim mesmo
Eu rio a esmo

Sou ora isto
Ora Aquilo
Edifico (e)
Aniquilo

Eu rio
Eu ruo
E roo
As entranhas do mundo
Um ser visceral
Água batizando
A secura do cal.

A mãe que ama
O pai que adora
O ontem, o agora
As flores do mal

Um Baudelaire
Qual ninguém mais
Quer ler

A louca que à noite
Zurra
Berra
E não dorme

A sede de vida
O sexo da fome

Intelectual
Sem pince-nez
Dependurado no nariz
Sem chibuque na boca
Como matiz

Sou a folha e o ar
Um constante pesar
Pesar

Pesar

Pesar

E o que hei de mudar
Se eu sou o mundo
E o mundo sou eu
Eu quem roubou
O fogo dos céus
Orgulhoso
Mítico
Prometeu

Juro não-arrependimento!
Trouxe a luz do firmamento
Simbolizo o Homem:
Frágil, débil, flébil

Mas punhos em riste
Ante ciclópicos tiranos
Ó, formidáveis inimigos de antanho...!

Prometeu Acorrentado - Jacob Jordaens [1593 - 1678] - 1640, Colônia

2 comentários:

Jefferson disse...

Gostei do "rio, ruo, roo"...

A superposição dos sons e das expressões faciais ironiza a condição humana, não? =)

Fernando Pimenta disse...

Suponho. =)