sexta-feira, 26 de março de 2010

Não mude o mudo alaúde

"Bufão com alaúde", Frans Hals, ca. 1625

O tanger do alaúde
Alude à magia ancestral
Por mais que eu me mude
Permanecerei cabal

O dedilhar das cordas
Tesas e tortas, comporta
Um saber incomum

Sou menos que dois
Porém mais que um
Sou num mesmo tempo todos
E sou tão bem o nem um

O tanger do alaúde
Alude ao mágico natal
Nasci com minhas virtudes
Morrerei um tanto igual

Poderá ser o oposto...
Eu ter nascido ruim
A me impedir de ver o rosto
Escondido atrás dum "sim"?

Mi'a nua face disforme
Poliforme atrás de mim

O alaúde polifônico
É a crônica do tempo
Meu universo ultrassônico
Lento, imensuravelmente

Macio retesar das notas
Suaves como aves
Graves em seu voo

O revoar das gaivotas
Ao tilintar das claves
Pássaros surdos sonoros
Sobrevoam canoros

E ecoam as sete chaves
Do paraíso perdido
Abrem ala as asas
No alarido das aves

Vivências, cadências
Um viver virginal
Atenua a existência
Pousa leve em meu umbral

4 comentários:

Edison Junior disse...

Legal!

Fernando J. Pimenta disse...

Grande Éd, Obrigado!!

Gilberto Pereira de Azambuja disse...

Gostaria muito que você me respondesse aqui, (dentro do possível): O quê você sabe sobre o alaúde?

Fernando J. Pimenta disse...

Caro Gilberto,

Lamento dizer que nada sei sobre o alaúde, fora já o ter ouvido ao vivo no Centro Cultural São Paulo, tocado por um trio de música árabe.

Você o toca?