segunda-feira, 15 de março de 2010

Açúcar Azedo

Sou uma pessoa real
Real enquanto poética
Ficcional e patética
Distância abissal

Sou uma pessoa real
Minha vida esquelética
Lida em voz caquética
Indigesto catatau

Rouca e mouca e louca
Troco de vida, de roupa
Mantenho-me o mesmo
Real irreal e cabal.

3 comentários:

José Minervino Neto disse...

Rimas inusitadas, um ritmo aligeirado, muito próprio aos quartetos e, mais importante, poesia contemporânea que não cede ao previsível e à qualidade inferior do velho "água com açúcar". Enfim, um belíssimo trabalho. Parabéns!

Essa forma de poetar lembra-me meus primeiros rascunhos.

Em tempo: "linkei-o" no meu blog, obrigado por teres feito o mesmo comigo.

Edison Junior disse...

Muito bom. Gostei!

Fernando J. Pimenta disse...

Muito obrigado, José. É o olhar de quem vê que dá brilho à coisa vista - pressuposto esse da física quântica, cada dia mais provada e comprovada em seus princípios relativísticos.

Às vezes é por sendas subjetivas que chegamos à uma linha objetiva que nos defina em nossa inabarcável incompletude.

Edison, fico feliz que tenha gostado :D