quarta-feira, 17 de março de 2010

Amor Armênio

Ashy Macbean

Ararei meu Ararat
Exilado em mi'a diáspora
Meu cor duro e rijo bate
Ao ver o tênue Bósforo

Triste acendo a vela
Com meu palito de fósforo
A criança magricela
Esfomeada, de cócoras

Ela, a mãe dela, ambas na cela
A sórdida história
Pútrida, inglória
Ela... não é mais ela
Ela é mazela

A política querela
Latrocinou seus corpos
Vazados olhos de gazela
Vazados... e já mortos

A flauta duduk nos toca
Dos pés à cabeça nos choca
Sua limpidez virginal
Fúnebre memorial

Haysatan, Haysatan
Genocídio Satã
A esperança é tudo
Toda vingança é vã

Meu povo não fica mudo
Nenhuma mentira
Servirá de escudo
Aplacamos nossa ira
Com o fato já desnudo

Flores à tocha eterna
Em pranto, em riso as lançamos
Lírios à pátria materna
Cá desd'os tempos arcanos

O sol bate no Ararat
A visão ainda é nossa
Ilumina a neve em cima
Disto ninguém nos despossa

Territórios não podem
Jamais demarcar almas
Ou ruir sáxeas montanhas

Grãos de poeira sacodem
Em sua paciência calma
Tamanhas montanhas
Ninguém apanha

***

Notas:

Monte Ararat, símbolo nacional da Armênia e para todos os armênios, fica hoje na Turquia.

(Rio) Bósforo, principal rio da Turquia

Diáspora, o Genocídio turco-otomano de cerca de 1,5 milhão de armênios (1894 - 1918) levou-os à diáspora, tanto para países ocidentais, na Europa como nas Américas, enquanto outra parte migrou para os países ao Oriente, como Rússia, Casaquistão, e mesmo países árabes.

Flauta duduk, instrumento ancestral de som magnífico, clique aqui para ver a cantora Isabel Bayrakdarian acompanhada por um quarteto de duduks, na Armênia.

Hay, como os armênios se autodesignam em sua língua

Haysatan, como os armênios designam seu país, que chamamos de Armênia

2 comentários:

laura sobenes disse...

que seria dos meus textos sem os teus comentários? seria o oposto dos teus textos rebuscados...

...nada.

:-)

Fernando J. Pimenta disse...

Ah, Laura, você é muito doce ao me elogiar dessa forma. Eu fico honrado. :D