quinta-feira, 25 de setembro de 2008

Coisas russas

Luziluzindo no horizonte,
Sinais de um renovar.
Transpassa-se o monte,
E, a ferver, o samovar.

Pois, agora, me conte
Sobre o teu despertar.
"É simples", me disse.
E, ainda que insistisse,
Nada me contou.
Como se por dentro risse...

Vi bem forte o brilho:
Nos seus olhos,
Algo chamuscou.
O estribilho d'algum poema,
Em si, o iluminou.

Que figura fascinante!
No silêncio a sibilar:
Quem (eu) sou?
Quem sou
... ...
eu
.

"Poderei saber um dia?"
Me indagou.
Só tu poderás dizer...

"E a chama que ardia?",
Provocou.
A tua, é dada a ti conhecer...
Esqueci!

Dentro de mim também havia brasa.
Havia luz.

A escuridão terá sido mais forte?
Espero que não.
Não quero tal sorte.

"Por que pensas tanto?"
...
O pensar, em mim,
É esconderijo e manto...
...
"Não há de ser assim..."

Tem de ser como, então?
"Queres respostas a todas tuas perguntas?"
"Pois és ambicioso e impaciente:"
"Não poderás compreender tudo de uma vez..."

"Fecha os olhos, conta até três"
Um, dois... três.

As luzes haviam se apagado.
Ao acendê-las, o inominável sábio
Não mais estava lá:
No recôndito do meu ser.

Fora mais um golpe de mágica.
("At the Samovar", 1926 - Kuzma Petrov-Vodkin, 1878-1939)

2 comentários:

Camila disse...

O texto ficou maravilhoso!
Mas eu comentarei sobre o quadro que colocaste (aliás, faço História da Arte).Sobre Petrov-Vodkin...
Nascido em Khvalynsk, provincial vila perto de Saratov na Rússia, na família de um sapateiro, Petrov-Vodkin sentiu o desejo de desenhar muito cedo, embora não exista muita oportunidade de desenvolver seu talento. Primeiro o rapaz encontrou-se um ícone do pintor, que se disponibilizaram a ensinar-lhe o seu art. Apenas na faixa etária de 15, ele começou a receber as aulas em pintura em aulas de desenho e pintura da FE Burov.
Em 1895 ele enviou para patrocinadores Petersburgo para estudar na Escola Central de Desenho Técnico do Barão Stiglitz (1876-1922), mas muito em breve seus professores compreenderam que o jovem não era um técnico, e de sua vocação era belas artes. Em 1897, Petrov-Vodkin foi transferido para a Escola de Moscou Pintura e Escultura, onde estudou na classe de Valentin Serov, e de onde se graduou em 1904. Além da Escola Moscou ele permaneceu em Munique em 1901 e estudou no estúdio de A. Ashbee. Os estudos na Escola Moscou foram marcados com o seu árduo trabalho em pintura e escrita criativa. Petrov-Vodkin sequer hesitou durante algum tempo sobre o qual caminho a escolher - para se tornar um escritor ou um pintor. Sua escolha em favor da pintura foi determinada por uma viagem à Itália e uma longa estadia em Paris, onde estudou em muitos estúdios da arte parisienses.Em 1910 Petrov-Vodkin tornou-se membro da união artística 'Mundo da Arte ", e manteve-se nele, até sua dissolução em 1924, embora ele tenha acabado por não se tornar identificado com qualquer escola particular.
Já Petrov-Vodkin rápida da obra sejam simbólicas (por exemplo, elegia, 1906; Bank, 1908; Dream 1910), todos eles são influenciados por Mikhail Vrubel, Victor Borisov-Musatov, Pierre Puvis de Chavannes e pelo escritor belga Maurice Maeterlinck ( 1862-1949). A tela "Sonho" agitado debate acalorado e trouxe fama ao jovem artista; negativamente o espírito críticos foram chefiadas pelo célebre Ilya Repin e seus opositores eram chefiados por Alexander Benois. O primeiro grupo viu na Petrov-Vodkin o mais novo decadente, incapaz de desenvolver a arte, a segunda - o neo-clássico expressionista de tendências. O próprio pintor não poderia caracterizá-lo definitivamente suas obras, ele disse que ele era "um pintor difícil". Sua evolução provou que ele não exibir. Jogando Boys, 1911, Balnear da Red Horse, 1912 são uma nova etapa no seu trabalho, sua tentativa de sintetizar pintura tradições orientais e ocidentais.
Contei um pouco sobre a vida de Petrov-Vodkin. Na verdade eu sou apaixonada pela Rússia e pelos artistas de lá, aí não tinha como eu não falar um pouco sobre a vida de Petrov-Vodkin.
(queria falar sobre mais coisas, mas em um outro momento falo mais...)

Fernando Pimenta disse...

Caraaamba!

Não sabia que ele nem pintor iria se tornar, não fosse por pessoas que falaram: "Mas este homem não é técnico, e sim pintor!"...

Puxa. Eu nunca ouvira falar nele antes de encontrar a pintura da mulher em frente ao samovar...

Que bom que gostas de coisas russas! Há tantos grandes escritores de lá. Dostoievski, Tchekov, Púchkin, Gógol, Górki, Tostói, e por aí vai...

Valeu pelo comentário esclarecedor!