segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Manipulação da Fala, ou, A Palavra Que Cala

"Coragem, homem!"
É mi'a frase preferida
Com ela as mágoas somem
E me relembro da vida

Garrida, esforçada
Meus dois pés firmes
Galgando a senda alada
Minh'alma limpa de crimes
E a jornada começada

Em busca do bosque da Razão
Perdi-me inúmeras vezes
Andei quilômetros em vão
Por anos e meses

Me vi de perfil
Num espelho d'água
Meu cor não mentiu:
Aquilo era uma cilada

Como posso ser tão grande?
Isso é obra do orgulho...
Nem que Deus me mande
Nesta poça eu não mergulho!

E assim me pus de lado
Lembrando-me de Ghandi
Eu ria desbocado...
Isso é obra do chifrado!

Devo manter-me atento
Pensei
Não irei dar alento
Ao que foge à lei

Onde o tridente rege
A mentira se faz Rei
O artifício é a sede
Do palácio Real

Lá não se fala em ditadura
A palavra certa é travessura
Muito menos repressão...!
Cujo equivalente é gostosura
Não se engane, não!
Aqui não há censura

Escondemos a prisão
E a masmorra escura
Gostosura ou travessura,
Qual você quer mais?
Leva logo as duas
E de bônus leva a Paz -
Isto é, tua morte,
Nas mãos do capataz.

2 comentários:

André disse...

Fico honrado em receber esse elogio de alguém com talento.


Passe lá sempre, que por aqui passarei também.

Fernando J. Pimenta disse...

Opa, está consolidada a troca de visitas! Certeza!