sábado, 26 de abril de 2008

Poesias de Reconciliação

Certo dia, desentendi-me com uma amiga. Pensei: "O que faço agora?" Não pensei muito, mas escrevi poesias. Duas delas, nada muito belas, decidi postar:

O passarinho


O pássaro que lá canta
A todos encanta
Com seu canto sonoro
Dizendo "não demoro, não demoro!"

Se eu fosse tal ave
Cantaria todo o dia
Pois, em Algarve,
Enquanto é dia, há poesia

Ah! mas como me alegraria
Se a ninguém mal algum fizesse
E a todos diria "Bom dia!"
Como se tristeza nunca em mim houvesse

Mas se eu gosto
Eu perdôo
Minha estimada amiga
Cujo nome entôo

Mas o que há comigo?
Daria quase tudo para saber
Talvez, falar contigo
Venha, algum dia, a esclarecer

Assim me despeço
Tristemente, não!
Se meus versos meço
Ainda assim, sigo meu coração!

(acima, típica costa de Algarve, Portugal)

A vida é uma exclamação



Vinha caminhando
Ao longo da estrada suja
Tão embora vim pensando
Naquele amigo, que parecia uma coruja

Sempre sozinho,
Lendo sempre, sem amigos nem conhecidos
Não o julgava não
Pois se andava sozinho
O fazia por razão

Se meus amigos eram mesquinhos
Não sei
Se gostavam de andar sozinhos
Ah sei!

Isso não
Pois as pessoas
Rejeitam a solidão
Embora boas
Vêem que a solidão
Destrói a mais forte
Ilusão

Oh! Doces ilusões
Se nada soubesse
Tão feliz seria
Na minha ignorância
Certamente regozijaria

Ah! Tempos de infância
Quando nada sabia
Mas tudo fazia
Ao passo que hoje em dia
Cada ação minha dá ânsia
E cada dia, tem sua agonia

Mas se me vejo no espelho
Por que nunca enxergo minh'alma?
Vejo somente o podre reflexo
E ainda assim, friamente retenho a calma

Vou tentando melhorar
Mas, minh'amiga
É impossível não tropeçar
Mais fácil é fingir
Que não se tropeça
E numa ovelha, me transformar

Mas, não!
Minha liberdade
Jaz não na minha mão
Mas no invólucro do meu coração!

Cada vez que bate forte,
Me recuso a pedir perdão!
Mas por que tal recusa?
Porque é errando que aprendo
E na vida, é sofrendo e aprendendo

Se sofro contigo
Talvez seja seu amigo
Se rio contigo
Talvez o seja, deveras

Meu riso, esconde o choro
Meu choro, esconde o riso
E ainda assim, me felicito
Pois o conhecimento é infinito. E eu amo...A Vida.

Links para outros artigos dentro deste blog com poesias minhas (com exceção de um):
*Uma das mais inspiradas que já fiz
*Poesia feita em uma aula de geografia
*Poesia protestante: ela protesta, sem religião
*Poemeta em menagem a amigos
*Ciclo I
*Ciclo II
*Poesia Iugoslava Contemporânea
*Cúpula da Vida

5 comentários:

Jefferson disse...

Bonitas palavras!
Você poderia escrever um pouco em inglês também!

Meg disse...

eu já vi isso em algum lugar...

Fernando Pimenta disse...

Sim, Natasha, você certamente as viu em algum lugar: na sua caixa de emails xD

Lendo-as ontem, relembrei da emoção que senti ao escrever aqueles versos. Ah! O que é bom, merece destaque - e a poesia mostra quão bom tem sido minha amizade contigo - ela é, acima de tudo, verdadeira. Posso dizer isto com certeza? Ah, posso! Posso.

Bom, "Jefferson", são palavras bonitas, sim, mas, sobretudo, partiram do coração. E o coração de alguém que ama certamente consegue expressar as coisas mais profundas em palavras simples, porém belas. E o amor existente em uma amizade é, mormente, construtivo - para ambos. Thank you both for your comments!

camila disse...

Ruulez !
gostei muito .

isso me lebrou um poema do Fernando Pessoa :"Arrumar a vida, pôr prateleiras na vontade e na ação.
Quero fazer isto agora, como sempre quis, com o mesmo resultado;
Mas que bom ter o propósito claro, firme só na clareza, de fazer qualquer coisa!..."

stand by.

Lucas Pascholatti Carapiá disse...

Não pude deixar de apreciar com espanto, belas palavras.

Palavras do sangue.