sábado, 26 de abril de 2008

Música

Música. Algo profundo e belo, sem dúvidas. Todas as pessoas que tocam devem ter chegado nesta conclusão. Mais do que algo utilitário, a música para mim é algo indispensável. Uma das poucas coisas com as quais eu vivo e que não poderia deixar de lado por um instante. Quando corro, penso em uma trilha sonora para minha corrida. Em momentos difíceis, são as músicas que criei que mantêm minha cabeça erguida. Foi assim que cheguei à conclusão de que a música faz parte da minha vida.

A flauta de bambu, com a qual o Pascholatti me presenteou, tem sons que a flauta doce não consegue imitar com perfeição. Sons naturais que, ao se tocar uma música de profundidade espiritual, fazem meu corpo todo vibrar naquelas notas. Toco de ouvido, sem partituras. Por enquanto ainda não me dediquei a aprender as músicas lendo-as. O ouvido vai distingüindo que notas caem bem, e, por mais imperfeito e lento que esse processo seja a princípio, nada como o tempo para transformar musiquinhas em grandes trilhas sonoras.

Hoje, em particular, estava assobiando uma canção que não lembrava ter escutado anteriormente. Não vou dizer que a criei, no entanto - pois isto somente inflaria meu ego. Como a flauta de bambu encontrava-se ociosamente à minha frente, aproveitei-me do momento para transpor as barreiras musicais e transformá-la numa música para se tocar na flauta. Foi tudo muito rápido: a música, já emocionante no assovio, tornou-se magistral na flauta. E não me orgulho disso - sei que, por trás de tudo belo produzido pelo homem ou por qualquer elemento da natureza, está uma indubitável mão divina - que nos guia para um momento digno de introspecção. Um momento efêmero, no qual tomei conta de que as barreiras são todas transponíveis.

Basta saber como, e ter fé no que produzimos. Como Edison disse certa vez: Um gênio se faz com 99% de suor e 1% de inspiração. Não nego esta máxima - tendo em vista quantas vezes não atrasei lições e trabalhos para me dedicar a tocar - um tocador amador, mas cujos resultados mostram o suor que escorreu para eu poder tocar e aprimorar o que toco de ouvido. Espero que todos aqueles que estão agora lendo este post e que, por alguma razão encontram-se com dificuldades em alguma matéria de escola ou extraescolar, tomem nota disso: dê tudo de si mesmo, mas não espere nada em retorno. É, sem dúvidas, uma das coisas mais difíceis para todo ser humano: não antecipar resultados, e, ao mesmo tempo, trabalhar duro para obtê-los.

3 comentários:

Jefferson disse...

Mais do que não esperar nada em retorno, deve-se ter na mente outra máxima espiritual: "Pagarás antecipadamente". Não é?

Fernando Pimenta disse...

Com certeza!

Limpar o coração e a mente antes de cada meta. Caso contrário, tudo atingido em vida torna-se efêmero. Realizar a catarse espiritual antes de cada objetivo - e não antecipar o bem ou o mal - dar-se de todo, esperar pouco, mesmo nada. Mas antes, há de se olhar dentro de si e saber o que faz, por que faz. Aí sim, tudo vale a pena - porque a alma já não é pequena!

Comments are welcome, folks!

Lucas Pascholatti Carapiá disse...

Meia noite, o cara ainda acordado ouvindo músicas, gozando cada nota, voz, inspiração, um ritmo singular, uma batida, uma poesia...

Neste momento, o cara, já não é apenas um homem, ele é mais do que isso, ele flui, se entorpece, transa...

O homem é a arte, a arte é a vida, elas são diretamente proporcional. É como se nossa alma saísse de dentro de nós e se infiltrasse em um instrumento, em forma de som, como se nosso espírito tivesse sido transformado, assim como a energia.