terça-feira, 20 de abril de 2010

Permeabilidade

E como posso eu sozinho
Caminhar sobr'esta estrada
Pernoitar neste caminho
Onde reina a navalhada

E como posso eu mesquinho
Entender o universo
Bebum e ébrio no vinho
Derramado nos meus versos

Pinto diante do espelho
Um moço atraente imberbe
Pinta o viço em si o velho
Já tão bêbado se perde

Pede perdão de joelho
A batina no cabide
Sou um verme escaravelho
Mia fé tem dor de artrite

Dor, rinite, celulite
Meu casto corpo está gasto
A nostalgia me agride
Pervago no mar sem lastro

E me encontro do outro lado
Estranha figura eu vejo
Um duplo meu sem pecado
Livre de todo desejo

Liberto de todas peias
Face a face com si mesmo
Sem mais vontades alheias
Fluxo contrário ao esmo

Eis a essência do ser!
Ver-se entregue ao turbilhão
Leve leve esmorecer
No pulsar do coração

Bate bate repercute
Ecoa como a garoa
Dentro, a mãe sente o chute
Eis ao mundo uma pessoa

De déu em déu e de Deus
João, Mateus, Maria
Paria o útero grávido
Ávida fonte de "eus"

Populou-se o multiverso
Povoei-me cá por dentro
Em mim mesmo estou imerso
Gravito em torno do centro

Giram meus olhos na órbita
Dos mil astros da galáxia
Curiosidade mórbida
Volátil essência sáxea

2 comentários:

arte do marchini disse...

tá sumido cara

espero que esteja tudo bem

abraços

Marchini

Fernando J. Pimenta disse...

O mundo real nos prega peças, hehe... está tudo bem sim. :D