sábado, 13 de fevereiro de 2010

O Deserto é Tão Perto

Beduíno

Em meio ao deserto
Tórrido e distante
Lavarei mi'a vida
Num único instante

Uma bata açafrão
Usada e surrada
Será o meu roupão
E mi'a una morada

Prostrado de joelhos
Sobr'o rude chão
Cairei de velho
Na erma solidão

Do tempo me afasto
Meu ido amigo
Morrerei casto
Em nada envaidecido

A cálida temperatura
Zurzind'o meu corpo
Mi'a consciência pura
Meu cérebro absorto

A plena e funda arena
Estendendo-se sem fim
Pristina e serena
Seus ventos vêm a mim

E sobr'a lona da tenda
Fixarei mi'a vista
O pano como venda
Experiência mista

Poder mirar o céu
Qual João Batista
Ver por sob o véu
Ainda qu'eu insista

Em temer aos deuses
Em seus tantos planos
Tão puídos, tão arcanos
Tal o próprio ser humano.

2 comentários:

Jefferson disse...

Se me for permitido qualificar como uma sublime descrição a sua composição, espero não incorrer em furibunda réplica, irmão! (Finado e caro Bunin que o dizia!)

E o "morrei" abaixo?

Do tempo me afasto
Meu ido amigo
Morrei casto
Em nada envaidecido

Refere-se ao amigo mesmo?

Fernando J. Pimenta disse...

Opa, corrigirei! Era pra ser 'morrerei'. Pronto!