quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Muriçoca na Maloca

Muriçoca vem
Entrando na
Maloca vem
Chupar o sangue
Da criança
Dorminhoca

E no ar já vem
Fazendo troca-troca
Um zunido
De chacota
Chacoalhando
As pernocas

Doce sonho de paçoca
Termina em pesadelo
Quando a tromba toca
A raiz do seu cabelo

Remexe o travesseiro
E com ele o corpo inteiro
O bracinho fino soca
Par'em vão errar em cheio

A picada pica e coça
Êê... vida de joça!
Não se pode nem dormir
Sossegado nesta roça

Vem fazendo troça
E zumbindo no ouvido
No sangue se remoça
Inferninho de castigo
Descansar na pobre choça
Este sono maldormido

***

Uma homenagem aos pernilongos que infernizam minhas noites.

4 comentários:

Edison Junior disse...

Gostei, especialmente do "errar em cheio". Belo achado.

Fernando J. Pimenta disse...

Hehehe... "errar em cheio" foi uma ideia sem sentido que me subiu à cabeça para continuar a rima!! hahaha... ainda bem que o contexto poético deu significado a essa expressão inexistente (eu, pelo menos, até hoje só ouvi "acertar em cheio")!

Rs... Valeu, Édison!

Por incrível que pareça, foi bastante trabalhoso compor esse poema. Inovador no meu estilo geralmente mais extenso e minha temática que em geral versa sobre o trágico.

Um poema bem-humorado também cai bem, só agora fui me dar conta.

Alguma coisa pra dizer disse...

Em uma toca, estava solta a Muriçoca mas para o nobres isso pouco importa. Além do seu caminho toco, um cheiro estranho vinha do esgoto, mas o que interessa, os nobres não tem presa.
E no baranco a casa desabava, mas nada disso importava pois a mansão soberana continuava.

Fernando J. Pimenta disse...

Ô loco, Ná, você tá num veio poético também? Maravilha!

Feliz em ter você por aqui de novo :D