segunda-feira, 19 de maio de 2008

Tow Sawyer ou... Aprontar é Viver!


Acabei de ler Tom Sawyer, do escritor Mark Twain. Como Twain já dizia, a história contada no livro é um hino à juventude e às liberdades que fazem dela o tema de numerosas poesias do Romantismo. A nostalgia que muitos adultos sentem por não terem aproveitado, tudo quanto podiam, quando crianças, não é à toa: Tom Sawyer imagina-se pirata, ladrão, um apaixonado - tudo que sua fértil imaginação é capaz de produzir, frente a um ambiente de punição iminente dentro da sala de aula, e a uma sociedade que não entende as saudáveis peripécias infantis.

Se a coragem apresenta seus primeiros sinais na infância, então Tom personifica o arauto da coragem. Não só isso: sua criatividade se ramifica em diversos campos, porque ele é mestre em negociar suas obrigações domésticas, convencendo brilhantemente; o que não exclui o fato dele tornar-se um explorador, caçador de tesouros e um grande companheiro de aventuras.

E o livro, para imortalizar essa audaz personagem, termina com sua jovialidade intacta. Porque não poderia ser de outra forma. Veja bem, se a história foi escrita como uma homenagem à aurora da vida, que é a juventude, seria muito arriscado adentrar na futura vida adulta, carregada de responsabilidades burocráticas que poderiam enterrar o tesouro de criatividade encontrado na feliz infância; aliás, como um menino aspirador, esperto e ousado, com suas "malícias inocentes", se encaixaria no papel de um respeitável homem de negócios, ou noutra posição igualmente notória? A notoriedade é o fim da criatividade, já dizia alguém...

Torna-se evidente a conexão entre Tom Sawyer e Ronin Hood, o herói que pratica o bem - dando uma mãozinha aos mais pobres - com o dinheiro dos ricos é claro... Comunismo, alguém? Brincadeira à parte, Tom Sawyer é um livro maravilhoso. A coragem e a ousadia encarnadas em um personagem têm o inabalável poder de transformar uma simples estoriazinha em uma grande história. E é assim que Mark Twain se consagrou como o criador do mito da juventude, nessa obra-prima que escreveu em 1876, exatos cem anos após ser declarada a Independência dos Estados Unidos. Alguns inclusive apontam para esse fato como sendo uma indicação de que a obra foi escrita em alegoria à "juventude" do próprio país, com seus moços cem anos de existência, à época.

E talvez seja tudo isso, por que não? Que o leitor descubra as entrelinhas desse grande livro - não em dimensões, porque tem pouco mais de 200 páginas, mas em apelar ao que há de melhor dentro de nós - o que se resume, a meu ver, a ser sempre um jovem por dentro, apesar da idade e das restrições sociais. Pois a mocidade, meus caros leitores, tem residência fixa somente no interior de nós...

Long live Tom Sawyer!

P.S.: Aliás, como Joe me apontou, não é o Robin Hood que vive sempre jovem. Seria o Peter Pan.

5 comentários:

camila disse...

eu já sabia que você estava a ler este livro =)
o mesmo parece ser legal ...

Guilherme disse...

Kra, eu tive q ler, uma vez a versao noob desse livro, foi legalzinho ateh (pensando q num foi a original)

PS: O robin Hood num envelhece? isso eu num sabia.

Fernando Pimenta disse...

Oops...!
Realmente, é o Peter Pan que permanece para sempre jovem e exclama: "I won't grow up! I won't grow up!"

Corrigirei; valeu Joe!

Lucas Pascholatti Carapiá disse...

Grande livro!

Acho que o primeiro livro em inglês que li, quando tinha 14 anos, li ele resumidão...

Todo mundo sonha ser Tom Sawyer, todo mundo é Tom, Tom mundo já foi Tom um dia!

Bravíssimo texto sobre o nosso grande Tom Sawyer, na literatura nacional temos histórias assim?

Acredito que Monteiro Lobato nos dá esse ar de juventude nos seus contos joviais!

=)

Parabéns Fernandão!

Fernando Pimenta disse...

Monteiro Lobato! É vero... muitas histórias infantis, sobre a juventude. Bem lembrado!