sexta-feira, 30 de maio de 2008

Cuida Bem do Que é Teu (ou:) Segue teu destino, Prometeu

Fui péssimo na prova de Matemática hoje. Sentir-me-ia muito mais feliz se não tivesse sequer pegado no livro? Sei lá. O fato é que cada um sabe o quanto estudou, e eu tenho plena consciência de quanto eu estudei. O que me espanta é o nervosismo e a tensão que me acometem durante uma prova de Matemática. Nossa, é desgastante.

Talvez este esteja sendo um período de provações para mim: como conciliar meus amplos interesses fora do restrito mundinho escolar com o que a escola exige de mim como aluno, nomeadamente: presença, trabalhos, provas. Se for partir à análise desses três componentes da minha "vida escolar" neste ano, concluirei que minhas faltas estão sob controle (sim, eu as conto bimestre a bimestre para não chegar próximo ao limite), estou com um ou outro trabalho a fazer, e nas provas não estou me dando mal o suficiente para me preocupar. Isso quer dizer que estou atingindo a média mínima sem Recs, por enquanto.

Mas se eu quiser fazer algo por mim mesmo, eu também já conclui que esse algo não tem qualquer relação com a escola. Eu tenho dezenas de livros já selecionados para leitura em casa, e não encontro tempo para lê-los. Além disso, minha wishlist de livros já está passando dos 40, e esse é um patamar um pouco alto para minhas atuais condições financeiras... Resultado: Sem o poder econômico para comprar os livros que eu agora estaria lendo ao invés de postar (possivelmente), não posso lê-los. Sem tempo para lê-los (ou a falta de uma administração inteligente deste, pelo menos), de que adiantaria comprá-los? Quando vem alguém em casa eu realmente não suporto agir como pesssoas que se passam por cultas fazendo "uma brevíssima introdução" ao número de livros que possui em casa. Prefiro lê-los a mostrá-los, e pegar emprestado da biblioteca a comprá-los, sem dúvida.

O que me aflige está diretamente relacionado a isso. Há anos, ou ao menos desde minha entrada na Federal, venho pensando neste termo: "falta de tempo". O engraçado é que até a 8ª série eu não tinha noção do que significava, mesmo fazendo olimpíadas pelo Objetivo aqui e acolá, além do japonês e do inglês, e a escola, obviamente. E mesmo assim, minha média não ficava abaixo dos 8,5 na escola, fiquei em 9º no Concurso Literário Interno do Colégio Objetivo(CLICO 2005) - que envolve participação de alunos de todos os Colégios da rede Objetivo espalhados por São Paulo; passei de nível com nota máxima na prova de final de ano do Nihongakko da ACESA, com a Kobayashi sensei, além de ter obtido meu FCE (First Certificate in English) naquele ano também. O que mudou tanto, então? É isso que me corrói nas entranhas, incessantemente, dia-a-dia. E eu ainda arranjava tempo para treinar escrever com a mão esquerda, não sei pra quê (com bons resultados, deve-se dizer). Enfim, hoje eu "só" faço técnico à noite + médio de manhã, portanto qual seria a diferença?

Já que é para chutar o balde, eu digo mesmo: se for para passar de ano de forma medíocre, eu passo. Porque eu sei do meu potencial para passar no vestibular, assim como eu passei na Federal e provavelmente no concurso da FUNDAP, cuja prova realizei recentemente, no dia 18/05. Eu sei do que eu sei, mas não é ao conhecimento obtido na escola que me refiro. É a tudo que se pode aprender nos livros - e ler muito não exclui trabalhar para se sustentar, razão porque fiz a prova da FUNDAP para estagiário, ganhando algo merrecas, mas capaz de saciar minha voracidade por livros, por ora.

Meu desprezo pela escola está muito bem fundamentado. Evitando citar nomes, creio que poderia ter topado com melhores professores de Química numa instituição dita top class, ou a "elite cultural', como se referiu a ela um caro amigo meu, em um artigo acadêmico. Assim como poderia ter encontrado uma maior estabilidade em relação a professores de Física, porque seis em três anos é assustador, considerando que o normal e aceitável seria um por ano. Deixo bem entendido, sobretudo, que só considero um desses seis (não estou implicando que o sexo dele é masculino, porque não é) como um verdadeiro professor, tendo em vista que os outros cinco não me auxiliaram no aprendizado, ao menos não no que tange ao aprendizado dentro da sala de aula - por suposição o local onde o aluno deveria aprender. O que eu aprendi em muitas matérias ao longo dos dois anos passados e este que estou cursando foi devido, em primeiro lugar, a um ferrenho autodidatismo e, em segundo lugar, à sorte, que se tornaram meu pão de cada dia desde minha incursão no sistema educacional público brasileiro - isto é, desde 2006, meu primeiro ano no CEFET-SP.

Depois da Federal, pode vir qualquer coisa. No meu primeiro ano me meti em tiroteio de bala de verdade, então as balas de borracha são fichinha agora. É como o slogan da camiseta do IME-USP diz: "Entrar no IME é fácil, difícil mesmo é sair!!!". Entrar na Federal não requeriu um QI de +140 (que eu felizmente não tenho ou então tem sido um segredo muito bem guardado dentro de mim até hoje). Por outro lado, ir bem nas 14 matérias do 1º, 13 do 2º e 12 do 3º ano (não estou dizendo manter-se na média), em todos os bimestres, é - desculpem-me a força da gíria - osso. E, pra mim, finalizar o Ensino Médio na escola e passar na FFLCH-USP e no técnico e no concurso da FUNDAP já está bom demais. Se algum desses falhar, que falhe. A vida é mais multifacetada do que imaginamos. Guardem bem o que eu digo: prevalece nesta Terrinha a visão unilateral, a perspectiva limitada e o escopo finito do homem. Mas, observando-se as estrelas, descobre-se que no universo as coisas são muito mais excitantes, e a multilateralidade é regra...


Anyway, as the saying goes, "From the fire comes light..."

3 comentários:

disse...

Wow!
Você escreveu bastante agora!
Eu li tudo ^^

Mas pra resumir:
eu queria ter a sua coragem pra faltar tanto na escola...xP
Pelo menos, vc tm controle das suas faltas...pior aqueles que nem se dão o trabalho.

Por um lado...acho que é a coisa certa a fazer. Enquanto tá todo mundo louco por causa do vestibular, vc tá aproveitando a vida. Acho certo pois, como diz minha mãe, essa é a melhor idade pra se aproveitar a vida...e muitos de nós, inclusive eu, estamos "desperdiçando" com uma prova no fim do ano.
Por outro lado...é essa prova boba que pode definir "o resto" das nossas vidas. Ou pelo menos o próximo ano (o que é injusto, ter que escolher uma profissão tão logo).

Bom...é isso, em resumo aos posts.
^^

bjos!

Carol - Armênia disse...

que mensagem desesperadora.. ehhehe

Fernando Pimenta disse...

Era uma mensagem desesperadora... mas ser for pensar bem, consegui terminar o Ensino Médio e entrar em Letras, que é o que eu almejava.

Agora, tudo de bom.