sábado, 15 de maio de 2010

Vovô

O ar insiste em entrar
Pelas frestas em meu ser
Tão brusco invade o meu lar
E será mesmo você?

Uma senha proferida
Prenhe de significado
Ter mudado minha vida
Quando tudo era negado

Quando tudo era negado
Uma imagem se afirmou
Adeus sombras, adeus fado
O sorriso do vovô

Vovô, ficará comigo
Aquele amor tão fraterno
Teu terno jeito de amigo
Na mais gelidez do inverno

Minhas tão frias orelhas
Você aqueceu co'as mãos
Esse gesto se assemelha
A um amor entre irmãos

Desse gesto eu me nutri
Não quereria outra herança
Modelo maior de amor
Vossa crença na criança

Vossa crença na criança
No fundamento da vida
Onde a alma enfim descansa...
Doce memória esquecida

2 comentários:

Edison Junior disse...

Tenho muitas saudades de meu avô. Seu poema me fez lembrar dele. Legal.

Fernando J. Pimenta disse...

Foi um sentimento igual que me mexeu a pensar esse poema, Éd! Valeu, companheiro.