terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Doar Vida

Ontei doei sangue. Doei em nome da irmã da ex-namorada de um amigo que eu conheci trabalhando na exposição Bossa na Oca, que aconteceu de 07 de julho a 07 de setembro de 2008. Há mais de um ano. Nunca mais vi o Samuel, e sua ex-namorada, a vi uma única vez, ainda na condição de namorada. Quanto a irmã, nunca a vi na vida. Todavia, felizmente, os pedidos de ajuda chegam longe.

Suei a noite inteira, rolava de um lado para o outro ansioso, deixando o lençol extremamente úmido e cada vez mais dificultoso par'eu pegar no sono. Dormi muito pouco, minha mãe me acordou. Havia agendado minha doação pelo site do Centro de Hematologia de São Paulo, que fica próximo à estação de metrô Brigadeiro, linha verde.

Exercitei-me de manhã, comi bem, pus uma camiseta verde, porque eu gosto da palavra Esperança, e sempre a associei à cor verde. Torço pro Palmeiras também, mas isso é indiferente. Acho que só torço pra esse time por causa de sua cor, o resto é baboseira futebolística. Assisto à maioria dos jogos, mas e daí? Life goes on, man. Ganhar e perder são fatos diários na vida de quem estuda, trabalha, ajuda em casa, tem amigos, ou seja, alguém como qualquer outro.

Não faço do blog um diário, mas abro hoje uma exceção. Já consolidei meu pensamento com o meu irmão: Só não tem medo de agulha quem é sado-masoquista ou quem injeta drogas, lícitas ou ilícitas, em si mesmo. E gostar de sangue eu nunca gostei. Passo mal de ver, minha cabeça gira, aí tudo é neblina e branquidão. Aconteceu isso também quando eu estava doando, mas foi quando tiraram a agulha, e logo as bem-intencionadas enfermeiras me abanaram um pouquinho, me conforaram com palavras, me trouxeram um suquinho bem doce de uva.

Normalmente, o açúcar é uma coisa que eu abomino. O único açúcar que eu consumo é o presente na cerveja, e minhas libações são cada vez menos frequentes. Abandonei a fase Baco da minha vida. Quando tomo, eu gosto de brindar Heineken. Propagandas de lado, eu posso dizer que eu só doei porque eu quis. Meu pai, minha mãe e meu irmão nunca doaram. Que eu conheça, da minha família, que doava, era o meu avô. É, ele fez da vida dele uma série de bons exemplos. Merece minha mais grata saudação por ter sido um ser humano digno, sanguíneo, homem tal qual não se faz nesses tempos modernos. Um forte - de alma, de corpo. A força e o vigor da hombridade exsudavam de sua pele como a sempre presente evotranspiração da floresta amazônica. Era uma aura que ele portava consigo. Voltemos, porque não é minha intenção traçar uma biografia desse homem magnífico aqui. Primeiro porque daria muito trabalho, e o Jazz da Cultura está prestes a terminar.

Então é isso, pessoal. Fui lá, fui bem atendido, bati uma boquinha bacana com os lanchinhos gratuitos, com o suquinho de uva doce doce, e papeei com todas as enfermeiras e os compadres doadores, como é de praxe a alguém que tem medo dos procedimentos, da picada, da grossura da agulha. Termino este post descrevendo uma sensação de maravilhamento quando vi a espessa agulha me espetando.

No momento em que eu fitei a agulha, fui abraçado por uma segurança plena: Eu vim aqui porque eu quis, e só estou fazendo isto porque eu quero. Naquele momento deslumbrador, qualquer dor ou desconforto me deixaram de vez. C'est la vie, mon ami, c'est la vie!

Usando a frase rocambolesca e agramatical atribuída ao nosso polêmico Jânio Quadros, fi-lo porque qui-lo. Ho ho!

Life is funny, boy!
(screenshot do filme Breakin'[1984])

2 comentários:

Nina disse...

*-*
um dos meus projetos de vida, quando eu fizer dezoito anos, é passar a doar frequentemente sangue (respeitando os perídods mínimos, lógico).Ninguém na minha família já fez isso que eu saiba, mas é um ato que me atrai por toda a nobreza de dividir algo tão essencial quanto o sangue.
A meu ver, essa é uma ação que faz bem pra alma, pro coração e, principalmente, para outras pessoas.Minha admiração por vc só aumentou ao ler esse post.

Fernando J. Pimenta disse...

Bom, eu me junto com um mutirão de três, quatro (por vezes cinco) amigos para doar. Na primeira eu fui sozinho, cara e coragem... rs! Se algum dia você quiser ir conosco, basta dar um toque (email). Aí você já conhece uma galerinha super bacana. Abraço! E obrigado pela admiração!