sexta-feira, 1 de abril de 2011

A Penas

Pintassilgo, pintainho
Pintarroxo, pinta o céu
De mel, de fel, passarinho
Põe à página o pincel

Meu piar apavorado
Por estar sempre apressado
O preço da pressa oprime
Meu pensar já apoucado

Pernoito em profundidades
Intransponíveis metades
Prestes a perder as penas -
Plumas e pôr-me pelado

Aplainado, pobre, apático
Procuro em mim o viático
A pleno voo, pasmado
Aprendo a premir o vácuo

Em meus poros, palpitando
O vazio que me espicaça
Ameaça e me aprisiona
A morte à sorte é mia dona

O ápice, o nada
O nado sem água
O pico, a praia
Aprazem-me não mais.

Sequestraram minha paz
O rapto o roubo a pilha
Meus pertences eu jamais
Reaverei, não sou rei.

Não mais, já mais, sem mais paz
Sem mais pontes aprumadas
A pender no horizonte

Fontes dos meus principescos
Sonhos, hoje pesadelos
Apenas perdi eu tudo.

2 comentários:

Edison Junior disse...

Olá! Passei para eixar um abraço. Tava sumido, amigo Fernando!

Fernando J. Pimenta disse...

Obrigado, amigo.