sábado, 16 de abril de 2011

Tchau Tristes Dias

Ah! dores da diarreia!
Quase vós me destruístes
Me influindo ideias tristes
Como o rosto de Medeia

Sentir-me um animal roto
Sentado sobre o mau cheiro
Tresandando a podre esgoto
Fétido de vil bueiro

Horas prostrado no vaso
Co'a face rente ao chão
Já não era brincalhão
Mal-amado pelo acaso

E pensar sempre no ocaso
Nessa morte ignomínia
Afogado em poço raso
Desta pútrida vã sina

Ah! Penitente é quem sente
A vida escoar em berros
Extraídos como a ferros
Na marrom e preta enchente

A matéria nauseabunda
Vai jorrando miserável
A verborreia da bunda
Vai rápida como um sável

Mas não é o mar que singra
Em um ar auspicioso
É o meu corpo que sangra
Esse líquido asqueroso

Ai, convolutas da vida
Luta contra a voraz fera
Devoradora quimera
Das digestões espremidas

E venço, afinal! É lindo
Ver um novo sol sorrindo
Esperanças renovadas
Dentre airosas cachimbadas

Sem correr mais ao banheiro
Branca face, pé ligeiro
Rio e gozo do passado
Gargalho maravilhado

Bau bau, desditosos dias
Sopa de arroz e batata
Sem sal, refeição ingrata
Quando acre eu me desfazia

Alegre e festeiro eu canto
Ter-me desfeito do encanto
Que mia alegria roubava
Fazendo a vontade escrava

Um viva à saúde! um viva!
Longa vida ao coração
Pois hoje transborda em vida
São, airoso e bonachão!

***

Que for ler ou já tiver lido Bernardo Guimarães, entenderá este meu poema. E rirá comigo!

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