terça-feira, 8 de junho de 2010

Meditações

Já faz tempo não medito
Nem vejo além do papel
Não fico acima do grito
Da minha torre de babel

Já faz tempo não escolho
Vou me deixando levar
O olho não olha o olho
O pulmão não toca o ar

Como se o mundo encolhesse
E a vida em si eu temesse
Sinto-me só - cinzas e pó
Nada me ergue ou soergue

Abra as portas e comportas
Quero sair, não me importa
Para onde eu possa ir
Se como monge, ou faquir

Quero sair, pouco importa
Este pousar da mão morta
Sobre meu crânio escaldante
A boca do averno hiante

Queimo no inferno de Dante
Teimo em estar na Geena
Tudo é real e pulsante
Mia vida soa pequena

Batem grilhões e grilhetas
Cadeias e cadeados
Peias alheias, muletas
Formam sombras do passado

Procuro no escuro a luz
Corpos gelados já rijos
Trevas e esconderijos
Meu choro sob o capuz

Meu choro é mudo por todos
Chafurdando neste lodo
Atraídos pelo engodo
De ser tudo sobre a terra

Engolidos na cratera
De seu próprio pensamento
Hoje escravos da quimera
Em seu anseio avarento

2 comentários:

Edison Junior disse...

"O olho não olha o olho
O pulmão não toca o ar"

Gosto de seus "achados".

Fernando J. Pimenta disse...

Valeu, Éd! Sempre me dando uma força, meu caro! Impagáveis teus comentários.