quinta-feira, 17 de junho de 2010

Azul

Jamais vejo o azulejo
Pintado como um painel
Sob a sombra me protejo
Do seu áureo azul do céu

O anil das flores, cores
Espraiadas como ao léu
Meu buquê de amores murchos
Na mia triste mão de réu

Vagos olhos, secos lagos
Onde a água já parou
Já passaram os reis magos
A manjedoura ficou

Esperando um simples gesto
Um carinho, abraço, um beijo
Meigo que fosse e modesto
Só sobrou o azulejo...

Azul, anil, oceânico
E tirânico e satânico
Toda uma calma de pânico
Por que te vejo, azulejo?

Seu azul, seu anil, seu
Mar infindo a me olhar
Meu esgar, minha aspereza
Quem dera eu jamais me veja.

2 comentários:

Renato disse...

Me lembrou a fruição que carregam os azulejos e o azul da igreja da Pampulha; Pampulha também a azul lagoa que se arroja no seco...

Fernando J. Pimenta disse...

Azulejos, azulejos... tenho à mente os azulejos coloniais da cidade de Itu, e presentes em muitas outras cidades históricas, creio eu... suas pinturas revelando os costumes da "boa gente da época"... quero inda ver essa igreja da Pampulha, assim como a Igreja Armênia que fica na Tiradentes e tem a missa rezada em armênio, essa língua falada desde ao menos 600 a.C. até estes tempos atuais. 2610 anos de língua não é pouco!

Azulejos contadores de histórias e estórias e anedotas!