terça-feira, 29 de junho de 2010

Duendes doentes não há

E a folha se desprende
E recai na imensidão
Pousa na mão do duende
Tão maroto, garotão

Assovia e logo aprende
Todos os modos do mundo
Como é sábio esse duende
Não sente o odor nauseabundo

Ou talvez o sinta e saiba
Ver o todo de outra forma
Sem nem dar lugar à raiva
Seu olhar que se transforma

E o transforma em conjunto
Em todas as coisas boas
Ver os outros, ver o mundo
A quem nada está à toa

Quão lindo o sol e a garoa
A maré a ir e vir
Pois em tudo o som ressoa
No sempiterno devir

E a voz de uma pessoa
Na distância vem e vai
Sobre o rio uma canoa
Sobre o rio o próprio pai

Em vida o triste magoa
Chora o lençol bifurcado
Ruge a lava em Krakatoa
Faz do presente, passado.

E faz da vida um ditado
Passa passa passageira
Quem não provou do pecado
Não viveu à sua maneira.

2 comentários:

Edison Junior disse...

Continuo a passar por aqui, ainda que sem deixar rastros.

"Quem não provou do pecado
Não viveu à sua maneira"

E você continua afiado!

Fernando J. Pimenta disse...

hehe... sempre obrigado, caro Édison!

Férias, afinal!