segunda-feira, 28 de junho de 2010

Caixinha de Pandora

Como aquele eterno instante
Na surda noite ecoando
Tua figura esvoaçante
Teu espesso véu, tão brando

O luzir dos diamantes
Envolvendo teu pescoço
Num contradizer chocante
Com o teu viver insosso

Teu viver tão refinado
Uma esmola, dois trocados
Teu corpo como os ditames
Estéticos dos reclames

Obsoleto como a moda
Teu jeito aéreo e sublime
Na reinvenção da roda
Dos teus prediletos filmes

Glamour, finesse, teus trejeitos
Feios defronte ao espelho
Dando passos escorreitos
Em teu perene ar pentelho

Descomprometidamente
Vejo-te agora como és
Libertina e leniente
Vã e chã como os teus pés

Encantadora
Eleanora
A realidade...
...comprometedora.

2 comentários:

André disse...

Sempre com comentários muito ricos e interessantes.
Tô me arriscando nos Haicais.
É bem complicado, mas tô tentando.
hahaha detalhe que ainda nem consegui fazer um original, com temas naturais e etc.
Mas um dia chego lá.

Ps: Parabéns pelas poesias. Uma por dia. Todas bem distintas.
Belo repertório.

Fernando J. Pimenta disse...

Sim, você chega lá. Como eu também chegarei! Técnica é algo a ser aperfeiçoado à exaustão. Assim aprendemos!

Valeu, André. Tento pôr no papel o que me passa pela mente, e fazer da vida algo grandioso das coisas pequenas do dia a dia.