terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Resposta

Eu sei como dói, meu bem
A dor de garganta, a dor
De dente - rente à gengiva
Amor, você é mia diva

E, olha, eu não brinco não
Eu sou louco mas sou são
Quando eu toco tua mão
Penso sempre: por que não

Sem talvez, pois somos duas
Pessoas e jamais três
Pois essas mãos são as suas
Só há nós dois esta vez...

Quem é perfeito não é
Tem defeito em não ter fé
Noutra vida, noutra alma
Em ser dois sendo nenhum

Em ser dois nem sendo um...
Só ser sozinho achatado
Torto quadrado sem lados
Dado à garrafa de rum

Este não pode sonhar
Ser reflexivo sem dar
Uma chance ao cego acaso
Resplandescer no ocaso

Pois eu digo: o que somos?
No que cremos? O que fomos?
Somos do mundo os donos?
Não, não nos contentaria...

Se um dia acontecesse
Vermos a cara-metade
Nesse espelho mutilado
Refletindo a nossa face

Cansamo-nos dela - bela
Que seja! Ou hórrida horrível
Morre o corcel sob a sela
Mas sua alma é inesquecível

Sua alma em tempos de calma
Não vale, senão no horror
No dever de recompor
Uma amálgama de nós

Um amálgama a sós
Não se faz - é quebradiço
Desmancha feito um feitiço
Não é questão nem resposta

Mão é a mão que encosta
No meu ombro e me diz
Quis contigo ser feliz
Tua é a mão que me encosta.

***

Após o muito bom filme: Strange Days (1995)

4 comentários:

Rolando disse...

Olá. Estive aqui. Linda poesia. Apareça por lá. Abraços.

Fernando J. Pimenta disse...

Obrigado, Rolando!

Edison Junior disse...

Passando pra deixar um abraço e curtir mais uma poesia sua!

Fernando J. Pimenta disse...

Edison, já lhe disse como é bom ter leitores como você. Mas não me custa nada dizê-lo novamente. Fico feliz pra caramba!