sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Não quer...

Minha mão na contramão
Torto escreve, reto apaga
Não é mão de homem são
Nem herói de uma saga

Quer carícia, mas afaga
O papel de cor pastel
E a moça de anágua
Tão longínqua como o céu

Quer as curvas da mulher
Mas só acha o caderno
Despe, dobra, toca o terno
A frieza da colher

Quer cabelos anelados
Para enrodilhar os dedos
E com toques saciados
Relembrar de manhã cedo...

Quer o talhe de Iracema
Romanesca e rebuscada
Sua voz doce e amena
Convocando ao tudo ou nada...

Quer... apalpar superfícies
Planas e heterogêneas
Bruscas, lisas e difíceis
Como as montanhas do Quênia

Quer, bem-me-quer, malmequer
Se são flores ou quereres
Se são cores ou mulheres
Escrever a mão não quer.

2 comentários:

Edison Junior disse...

Gostei muito desse.

Fernando J. Pimenta disse...

Ele é tão simplezinho... parece bobo, mas, a meu ver, mostra bem que a mão faz uma coisa enquanto a mente faz outra, e vice-versa. Daí o descontentamento que vez ou outra nos assola...