terça-feira, 5 de julho de 2011

Ínvio Mar

Aceitar sua própria morte
Quem sequer a aceitou
Ver-se fraco, fora forte
Sua força fraquejou

Dolorosa nostalgia
Ver a luz se amaciando
Ao olho o que antes não via
Sem saber jamais o quando

Hoje lampeja e fulmina
A pálida e fosca luz
Nesta funda e escura mina
Onde o sol não mais reluz

Nos calabouços da alma
Na masmorra agonizante
Nada se agita ou se acalma
Ouço eu um só mesmo instante

Minha trilha ao Minotauro
Nesta senda apavorida
Reconstruo e restauro
Passo a passo minha vida

Não fosse este tênue fio
Fino, feio, quebradiço
Esticado no vazio
Deste meu real feitiço

Esta linha tão-só minha
Retilínea, tensa, inerte
Com meus bravos pés caminho
Quem sabe eu um dia acerte

Há saída ao labirinto?
... ou dá voltas sobre si...
Mas só eu sei o que eu sinto
E o que eu jamais senti

No infinito desafio
Posto à prova pelo fio
Pois não foi senão aqui
Onde o cérbero ladriu

Dédalo pranteia ainda
A vã queda do anjo alado
É a dor do pai infinda
Ver o filho morto ao lado

Custou caro a aventura
Da prisão se libertar
Foi sua ideia madura
Afogada no ínvio mar.

2 comentários:

Edison Junior disse...

Cara, muito bom seu trabalho. Abraços!

Fernando J. Pimenta disse...

Valeu, Edison; ando enferrujado, mas chegou a hora de azeitar os gonzos!